22/07/2010

Um antigo grão




Um antigo grão de areia,que eu encontro  na beira da estrada,quando seguia meu caminho,ela me viu,pegou carona em meu sapato,presenciou  alguns momentos  que passei,ela viu  eu dar a ultima gota de água que eu tinha para uma lilás que se encontrava a beira da morte,daí então viu eu caminhar por milhas com cede,mas me viu continuando,esta lilás ficou forte,então contou para outras flores o que havia feito,flor à flor foram contando,então longe de lá,meu olhos cansados,mal enxergavam  o horizonte da estrada,ou o sol dentre montanhas de nuvens abstratas...então vi algo,não sei se era fruto da imaginação entrando em alucinação ou sei lá,mas então segui em frente,não quis arriscar...Tonteando,falando nada com nada,mas algo em mim havia de sóbrio,porque eu sabia para onde ir,não bem sabia,só tinha certeza em algo,acreditava no GPS sem nome e números do meu coração,que queria me levar para algum lugar,queria me amostrar algo...O grão se perguntava como eu tinha tanta certeza,só tinha fé em sinais que o destino,que a vida me amostrava e que meu coração assinava.Depois de dias e noites acordada e de horas e horas alucinando em meio de poeira,eu adormeci entre pedras,cansada,totalmente acabada,o pequeno grão se soltou  de meu sapato,ela não dorme,então ficou observando-me,ouviu alguns sussurros  meus,mas não conseguia compreender...Ela volta para meus sapatos,eu desperto com os raios do sol entrando em meus olhos,levanto,sigo em frente,com muito mais cede,se visse alguma nascente,algum rio,algum poço em meu caminho,beberia toda água que houvesse,e estava com bastante fome também,mas havia apenas um pedaço de pão,eu então guardei,e continuei,minha visão estava melhor e consegui caminha melhor,mas estava mal ainda,depois de uns kilometros,lutando com meu físico,com a necessidade do meu corpo,pioro duas vezes mais que o dia anterior,daí paro,tiro a mochila que eu  carrego nas minhas costas,abro e pego o pedaço de pão que há,fecho a mochila,coloco-a de novo em minhas costas,tiro o plástico que há e sua volta,então quando coloco perto de minha boca,me deparo com um filhote de leopardo,parecia estar fraco,levei um susto,claro,nunca imaginaria ver um filhote de leopardo na minha estrada,na hora fiquei com medo,mas vi seus olhos,ele amostrava que ele estava mais espantado que eu,amostrava seus dentes,queria me atacar,mas não porque queria,mas por medo,escutei os batimentos de seu coração,estava acelerado,então fiz algo inesperado,dei o pedaço de pão que havia em minhas mãos,dei para ele,segui o coração,senti que ele necessitava mais que eu,cheguei perto,tanto eu como ele estávamos indo para algum lugar que não sabíamos...Então sem comida,sem água,continuei,o pequeno leopardo seguiu direção contraria,fiquei aliviada em meio de minhas aflições,mas paciente de certa forma,algo alimentava minha alma e minha fé,talvez fosse a força que eu realmente precisava,mais do que comida para alimentar-me e dar energia ao meu corpo,depois  disso ,ao anoitecer,eu não sei dizer que fui ao limite,talvez não,mas cai,perdi os sinais,entrei em coma,as flores,todas que ficaram sabendo sobre mim,me ajudaram,viram meu corpo  esticado na areia da estrada,e arrastaram-me para debaixo da sombra de uma árvore,que longe dali encontrava-se,para ali me levaram,ali estou e ali continuarei até que algo ou alguém diga-me ou acorda-me para amostrar-me os novos símbolos dos sinais da localização e junto a mim,encontra-se  o pequeno antigo grão para me cuidar.

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